Segundo uma lenda, os espíritos das trevas quiseram uma
vez invadir o reino da luz e conquistá-lo, mas não o conseguiram. Tinham então
que ser punidos pelo reino da luz mas nele não havia nada de mal, tudo era bom,
de modo que os demônios da escuridão só podiam ser punidos com algo bom. Os
Espíritos do Reino da luz tomaram parte do seu próprio reino e o mesclaram com o reino material das
trevas, se introduzindo nele.
Como uma parte do Reino da luz tinha se fundido com o
reino da escuridão, se gerou no reino das trevas uma massa ácida, uma
substância em fermentação que submeteu ao reino das trevas a uma caótica dança
espiritual, com o qual recebeu um Novo elemento: a morte.
Assim, esse reino devora-se constantemente a si próprio e
leva consigo o germe da sua própria aniquilação. Ao realizar esse processo,
surgiu o gênero humano.
O homem primordial é, pois, precisamente o que o reino da
luz enviou para se misturar com o reino das trevas para vencer, através da
morte e vencer em si mesmo o que não deve existir no reino obscuro.
O pensamento profundo que aqui jaz é que o reino da luz
não deve derrotar o reino da escuridão com o castigo, mas sim com a
benevolência, ou seja, não indo contra o mal, mas misturando-se com ele a fim
de redimi-lo. O mal se vence porque uma parte da luz penetra nele.
Rudolf Steiner
Tradução: Leonardo Maia
Bibilioteca Antroposófica
Rudolf Steiner
Tradução: Leonardo Maia
Bibilioteca Antroposófica
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